Artigos Uma jornada de vida e profissão. Quem eu sou!

Nasci no interior do Rio Grande do Sul, em uma grande família onde as relações humanas, as histórias compartilhadas e os vínculos sempre tiveram um papel central. Curiosamente, embora a Psicologia ainda não fizesse parte da trajetória familiar naquele momento, meu primeiro cachorro, quando eu tinha apenas dois anos de idade, recebeu o nome de Freud — um detalhe que, olhando para trás, parece antecipar caminhos que só seriam construídos muitos anos depois.

A Psicologia surgiu em minha família mais recentemente e, ao longo do tempo, tornou-se uma escolha profissional compartilhada por diferentes gerações. Meu irmão, diversos primos e eu passamos a trilhar esse caminho, transformando o interesse pelo comportamento humano em profissão e compromisso ético com o cuidado das pessoas.

Ainda jovem, deixei minha cidade para dedicar dois anos ao trabalho voluntário em serviço humanitário, uma experiência que ampliou minha compreensão sobre as múltiplas formas de viver, sofrer, amar e construir significado.

Ao retornar ao Rio Grande do Sul, iniciei minha formação acadêmica e profissional. Graduei-me em Psicologia por meio do ProUni, oportunidade que tornou possível a realização de um projeto construído com muito esforço e dedicação. Durante toda a graduação, conciliei os estudos com o trabalho, pois essa era a única forma de sustentar minha trajetória acadêmica. Trabalhar durante o dia e estudar à noite representou um desafio constante, mas também uma experiência profundamente formadora, que contribuiu para meu amadurecimento pessoal, ampliou minha compreensão sobre as diferentes realidades humanas e fortaleceu valores que seguem presentes em minha prática clínica.

Logo direcionei minha carreira para o atendimento psicológico e me especializei em Terapia de Famílias e Casais, área na qual encontrei meu principal campo de atuação e desenvolvimento profissional. Paralelamente à prática clínica, participei de atividades institucionais e políticas junto ao Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, experiência que ampliou minha compreensão sobre a profissão, sua ética e seu compromisso com a sociedade.

Há cerca de dez anos, minha própria história me conduziu para além das fronteiras brasileiras. Casado com uma pessoa estrangeira, passei a viver entre diferentes países, culturas e idiomas. A experiência de construir uma relação multicultural e de me inserir em novos contextos sociais transformou profundamente meu olhar clínico. Passei a compreender de forma ainda mais concreta os desafios envolvidos nos processos migratórios, nas adaptações culturais, nos relacionamentos interculturais e nas negociações de identidade que acompanham aqueles que transitam entre diferentes mundos.

Desde então, tenho dividido minha vida profissional entre o Brasil e a Suíça, atendendo indivíduos, casais e famílias em diferentes contextos culturais. Ao longo dessa jornada, tive o privilégio de acompanhar histórias vindas de diversas regiões do Brasil, da América do Norte e Central, da Europa, da Ásia e da Oceania. Cada encontro ampliou minha compreensão sobre a diversidade humana e reforçou uma convicção central do pensamento sistêmico: ninguém existe isoladamente; somos todos parte de redes de relações que nos influenciam e que também transformamos.

Minha prática clínica integra uma perspectiva sistêmica e psicodinâmica. Busco compreender cada pessoa não apenas a partir de sua história individual, mas também dos contextos familiares, culturais, sociais e relacionais que participam da construção de sua experiência. Acredito que tanto o sofrimento quanto as possibilidades de mudança emergem das conexões que estabelecemos ao longo da vida e dos significados que construímos em conjunto com aqueles que nos cercam.

Hoje, ao olhar para minha trajetória, percebo uma grande teia de relações que começou no sul do Brasil e que, pouco a pouco, se expandiu pelos diferentes continentes. Em cada etapa do caminho, encontrei pessoas que confiaram suas histórias, seus desafios e seus projetos de vida ao espaço terapêutico. É dessa experiência, construída entre culturas, idiomas e encontros humanos singulares, que nasce meu trabalho como psicólogo.